
Quem passa pelas imediações do hospital regional Adélia Matos Fonseca em Itapecuru Mirim não deixa de contemplar uma enorme chaminé que atrai atenção imediatamente e desperta curiosidade sobre para que ela servia.
Muitos itapecuruense desconhece esta história, outros sabem de alguns fatos sem muitos detalhes, tantos outros ouviram dizer algo não muito claro. Este texto se propõe a contar parte destas memórias da cidade que merecem ser preservadas.
O município de Itapecuru Mirim foi escolhido na década de 1940 para sediar um grandioso empreendimento que visava alavancar a economia do Maranhão, implantar uma usina de álcool de mandioca. A primeira na região norte do Brasil.
A Comissão Executiva de Produtos da Mandioca (CEMP) era o órgão responsável pela construção do complexo que tinha orçamento no valor de Cr$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil Cruzeiros) no espaço onde está situado hoje o hospital regional.
Começaram a ser erguidos galpões, torres, espaços para caldeiras e a histórica chaminé. Equipamentos foram trazidos para o município, máquinas, postos de trabalhos foram abertos. Mas, por algum motivo, a obra não foi concluída e o projeto não vingou. Atualmente apenas a imponente chaminé resiste ao tempo, como testemunha de parte da história do país.
Recentemente correram boatos de que a prefeitura teria intenção de demolir a antiga chaminé. Moradores informaram que engenheiros apareceram no local avaliando a estrutura e considerado a possibilidade de demolição.
Ainda de acordo com estes moradores, os profissionais teriam desistido da ideia depois de calcular os riscos da operação devido à proximidade das residências ao redor e que o custo para desmontá-la com segurança seriam muito alto.
Ao saber deste fato, a equipe do Portal itapecurunoticias.com iniciou vasto trabalho de pesquisa sobre a usina e encontrou a foto histórica, desconhecida até a publicação desta matéria, da solenidade de doação do terreno para a construção do empreendimento, que aconteceu na sala de despachos do Palácio dos Leões, sede do governo do Estado do Maranhão, em São Luís, no dia 17 de julho de 1946, às 11 horas da manhã de uma quinta-feira.
A foto foi publicada do jornal Diário de São Luiz dois dias depois, em 19 de julho de 1946, e era totalmente desconhecida dos itapecuruenses. Além dela, também foi publicado na íntegra o discurso proferido pelo delegado regional da Comissão Executiva de Produtos da Mandioca, senhor Carlos Dias Neto, na cerimônia de assinatura da doação.
Estiveram presentes ao ato o interventor estadual Saturnino Belo; o prefeito de Itapecuru Mirim, Abdala Buzar Neto; o delegado regional da C.E.P.M, Carlos Dias Neto; Edson Brandão, Josué Montelo e outras autoridades que acompanhavam a solenidade.
A empresa contratada para edificar as instalações foi a CONSTRUPAM. A equipe do itapecurunoticias.com não encontrou referências a está empresa nas pesquisas realizadas. Como a C.E.M.P era um órgão do governo federal, provavelmente esta seja uma construtora que realizava obras em vários países. A exemplo da Odebrecht, Camargo Correa e outras.

Frequentemente moradores mais antigos de Itapecuru Mirim se referem ao local como sendo área da CONSTRUPAM, mas, na verdade, a área foi doada para a instalação de uma usina de álcool de mandioca. Depois retornou ao município pelo fato da obra não ter sido concluída.