
Na manhã de ontem, quarta-feira (21), a sociedade itapecuruense foi surpreendida pelos boatos de que o prédio do Mercado Público Municipal havia sido derrubado. Logo um misto de apreensão, curiosidade e indignação se espalhou na cidade.
A equipe do portal itapecurinoticias.com se dirigiu ao local e comprovou aquilo que já havia sido anunciado, parte da história do município virara escombros. A prefeitura de derrubara uma edificação centenário, sem sequer ouvir ou comunicar a sociedade.
Novamente outra memória da cidade fora apagada como se as peças do quebra-cabeças deste plano de destruir o legado de um povo que habita a região desde o final do século XVII voltassem a ser encaixadas, uma a uma, na obstinação de cumprir seu objetivo.
A construção do prédio iniciou em 1919, através da Lei n°42 votada e aprovada pela Câmara de Vereadores naquele ano, durante a gestão do prefeito Basílio Simão. O chefe do executivo à época reclamou da promulgação da Lei que impunha pouquíssimos recursos para finalização da obra e dos entraves nela contidos.
O Mercado Público fora promessa de campanha do prefeito recém-eleito, um compromisso para atender aos anseios da população reclamante pela falta de higiene no local, que atraia urubus, ratos e exalava um mau cheiro constante.
Para dificultar o andamento dos serviços de edificação, vereadores membros das famílias pertencentes à elite política daquele período cuidaram em registrar exigências duras de prazos ao chefe do executivo.
O jornal Diário de São Luiz do dia 30 de novembro de 1920 traz um desabafo intitulado "Protesto", assinado pelo prefeito Basílio Simão, no qual afirma: "...O mercado público está pronto apesar dos entreves que me criaram diversos membros da edilidade, até mesmo filhos desta terra; e o dinheiro para erguê-lo foi por mim arrecadado, isto é, durante o período de minha gestão.... Itapecuru Mirim, 26 de novembro de 1920."
Às vésperas da esperada inauguração, o jornal A Pacotilha, em 25 de novembro de 1920, pública comunicado enviado do município de Itapecuru Mirim no dia anterior e assinado pelo prefeito, informando que a Câmara de Vereadores recusou o recebimento do ofício com convite para a solenidade. "...Tendo oficiado, hoje, aos membros da Câmara Municipal convidando-os a assistirem à inauguração do mercado público, a 31 do corrente, o secretário declarou não receber o ofício, devolvendo-o intacto. Saudações, Basílio Simão - Prefeito Municipal. Itapecuru Mirim, 24 de dezembro de 1920."
As querelas políticas e os objetivos de determinados grupos refletiam os interesses individuais em detrimento da vontade popular.
Finalmente na data de 31 de dezembro deste mesmo ano a obra fora entregue à população com toda pompa, circunstância e os agradecimentos da sociedade pelo avanço sanitário com o edifício erguido para garantir local apropriado destinado ao tratamento das carnes comercializada pelos moradores.
Veículos de comunicação da capital registraram o ato, dentre eles o Diário de São Luiz, datado do dia 3 de janeiro de 1921, que trouxera em destaque de primeira página na sessão do Serviço Telegráfico o comunicado recebido da cidade de Itapecuru Mirim. "... Inaugurou-se hoje às 10 horas, o mercado público, comparecendo à festa o nosso escol social e grande massa popular que delirava de entusiasmo pelo novo melhoramento. Os discursos proferidos foram entrecortados de aplausos. Após a inauguração, a extraordinária assistência acompanhou até a sua residência o Coronel Basílio Simão, prefeito, que muito bem fazendo pelo progresso desta terra, ovacionando-o durante todo o trajeto. Toda a cidade delira de satisfação, glorificando o denodado prefeito, pelo êxito do empreendimento."
Depois de 125 anos e 20 dias a prefeitura de Itapecuru Mirim, justificando "reformar" as instalações, decidiu demolir, quando poderia preservar, recuperar o teto do prédio que se encontrava comprometivo em partes ou mesmo manter de pé apenas uma das paredes como marco histórico, local de visitação, exposta ao público, mostrando respeito da atual gestão ao patrimônio do povo itapecuruense.
Veja a seguir alguns registros.






