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Professor Francisco Chaves

O maestro de novos começos

Samira Fonseca
Por: Samira Fonseca
27/04/2026 às 07h00
Professor Francisco Chaves
Arquivo pessoal de Francisco Chaves

A Escola de Música Joaquim Araújo carrega, há décadas, uma das mais belas missões de Itapecuru que é o de transformar talento em arte e em melodia. Não é exagero dizer que ela representa um dos maiores patrimônios imateriais do município, uma vez que, já são dezenas de músicos que passaram por suas salas, aprenderam suas primeiras notas ali e hoje brilham em palcos, igrejas, corporações militares e eventos por todo o Brasil.

Basta observar com atenção qualquer apresentação musical em Itapecuru, seja em uma celebração religiosa, em uma festa popular ou em um show de artistas locais, muito provavelmente, haverá ali um ex-aluno da Escola de Música Joaquim Araújo, o que revela não apenas a força da instituição, mas também o trabalho persistente daqueles que dedicam a vida a formar novos talentos: os professores.

Entre esses nomes, destaca-se o professor Francisco Chaves, um dos grandes responsáveis por manter viva essa tradição musical. Francisco nasceu em São Mateus, mas foi registrado em Itapecuru por dona Valdelice, sua mãe, figura fundamental em sua trajetória. Foi ela quem incentivou o jovem de apenas 16 anos a se inscrever na Escola de Música Joaquim Araújo, a convite do professor Daniel Bastos. Naquele momento, talvez ninguém imaginasse que ali começava a história de um dos mais saxofonistas do município.

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Aos 18 anos, Francisco já demonstrava domínio admirável do saxofone, instrumento principal da sua formação musical. Com disciplina e dedicação, Francisco conquistou seu espaço na Banda de Música Joaquim Araújo, consolidando-se como músico e ganhando reconhecimento pelo talento e compromisso com a arte.

Com o passar do tempo, Francisco Chaves ampliou seus horizontes e mergulhou também no universo dos instrumentos de corda, o violão, o cavaco e o baixo passaram a fazer parte de sua rotina e de sua identidade musical, o que o levou, naturalmente, ao magistério.

Ao chegar como professor na Escola de Música Joaquim Araújo, não trouxe apenas conhecimento técnico, mas também uma nova forma de ensinar, e foi com uma nova metodologia dinâmica e sensível à realidade dos alunos, que teve origem à Orquestra de Violões Trilhas e Tons, um projeto que hoje se tornou referência na formação musical de crianças e jovens itapecuruenses.

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Atualmente, Francisco Chaves leciona instrumentos de corda e sopro, sendo reconhecido como um dos grandes multi-instrumentistas de Itapecuru. Sua paixão pela música o conduziu também à formação acadêmica, ingressando no curso de Licenciatura em Música da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), fortalecendo ainda mais sua atuação como educador.

A trajetória de Francisco inclui também a Escola de Música José Bandeira, espaço igualmente importante para seu amadurecimento artístico. Sempre atento ao aprendizado contínuo, ele buscou aperfeiçoamento com diversos mestres, especialmente com o professor Carlos Magno, fundador da escola e uma de suas grandes referências musicais de Itapecuru Mirim.

De volta à Escola de Música Joaquim Araújo, o professor Francisco Chaves voltou seu olhar com ainda mais intensidade para a Orquestra de Violões. Quem assiste às apresentações das crianças e dos jovens da Trilhas e Tons talvez não imagine o trabalho diário, paciente e quase invisível que existe por trás de cada acorde bem executado, de cada apresentação segura, de cada sorriso no palco. O educador musical David Elliott, em sua obra intitulada, Uma Nova Filosofia da Educação Musical, afirma que “ninguém nasce musical”. Segundo ele, as pessoas nascem com capacidades que lhes permitem aprender a pensar musicalmente, mas transformar isso em competência exige dedicação, disciplina e orientação. E é justamente nesse ponto que o trabalho do professor Francisco se destaca, pois, ensinar notas, harmonia, cifras, acordes e técnica não é tarefa simples, e mais difícil ainda é formar seres humanos sensíveis, disciplinados e conscientes de seu papel no mundo, mas nisso ele também tem alcançado êxito.

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Ao ser perguntado sobre o sentimento de fundar a orquestra e contribuir para a formação musical dos jovens itapecuruenses, Francisco respondeu com a serenidade de quem compreende profundamente sua missão:

“A Orquestra de Violões é resultado de um trabalho árduo e de muita dedicação dos alunos. Vê-los se apresentando com consciência, com bom desenvolvimento musical e, além disso, tornando-se pessoas de bem e de bom caráter, mostra como a música contribui para a formação humana. O sentimento é de dever cumprido, porque música é muito mais que música. Música é disciplina, música é respeito ao próximo, música é essencial na formação do ser humano.”

A Orquestra Trilhas e Tons é, sem dúvida, um dos projetos mais importantes da área musical em Itapecuru, porque ela lapida jovens talentos por meio de um dos instrumentos mais populares e acessíveis que existem, que é o violão. Cabe à sociedade itapecuruense, especialmente, ao poder público, olhar com mais sensibilidade para iniciativas como essa, porque onde há arte, há esperança e onde há mestres como Francisco Chaves, há sempre novos caminhos sendo afinados para o amanhã.

 

Samira Fonseca é Mestra em Letras pela Universidade Federal do Tocantins – UFT e membro da Academia Vargem-grandense de Letras e Artes – AVLA.

 

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