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O Bloco do Lanchão está de volta às ruas!

Entre memórias de carnavais de ruas e a saudade que se transformou em folia

Samira Fonseca
Por: Samira Fonseca
17/02/2026 às 08h00
O Bloco do Lanchão está de volta às ruas!
Arquivo pessoal

A terça-feira gorda chega para encerrar o período carnavalesco do ano de 2026. Daqui a pouco, inicia-se um novo tempo: o da Quaresma. Contudo, antes que esse ciclo sagrado chegue, irei traçar este breve comentário sobre um fato que chamou minha atenção.

Logo pela manhã, na Praça Negro Cosme, as marchinhas carnavalescas começaram a ser executadas. O bloco, com um número pequeno de foliões, iniciou o cortejo pelas ruas e avenidas da cidade de Itapecuru. Não havia carro de som nem paredões com músicas eletrônicas, mas, sim, o som dos metais dos músicos da cidade. À frente do bloco, um senhor de tênis, vestido de saia e abadá, segurava o estandarte com o nome: “Bloco do Lanchão”.

Quem viveu a folia de Momo em tempos passados certamente lembrará de Lanchão, ícone da história de Itapecuru Mirim. Lanchão foi um dos maiores desportistas do município e músico clarinetista. No período carnavalesco, ele reunia seus amigos músicos e outros companheiros para saírem pelas ruas tocando e cantando as famosas marchinhas de carnaval, tendo o povo atrás, a se divertir, espalhando maisena uns nos outros, entre brincadeiras e risos despreocupados. Lanchão e alguns de seus amigos fantasiavam-se de mulher, usando saias, cordões e adereços femininos na cabeça. Era uma alegria!

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O resgate do Bloco do Lanchão foi idealizado pelo agente cultural Zeca da Cultura, pelo maestro José Santana e pela imortal Tereza do Kid, com o apoio dos funcionários da Casa da Cultura João Silveira. A iniciativa também foi totalmente apoiada pelos famíliares do músico, que estiveram presente no bloco.

O cortejo do bloco percorreu ruas, parando em frente à frente das residências de algumas pessoas que vivenciaram o Bloco do Lanchão, e finalizou na casa onde ele morava, deixando sua viúva muito emocionada com a homenagem realizada ao folião que não perdia um carnaval.

É o renascimento da verdadeira cultura carnavalesca, não baseada em sistemas de som automotivo de alta potência, mas na alegria dos blocos tradicionais de rua, como a que existe no Bloco do Lanchão.

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Samira Fonseca é formada em Língua Portuguesa, mestra em Letras pela Universidade Federal do Tocantins – UFT e membro da Academia Vargem-grandense de Letras e Artes - AVLA

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