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O baterista Jadiel Viana

Batidas que ajudam a construir a história da música itapecuruense

Samira Fonseca
Por: Samira Fonseca
08/02/2026 às 09h00
O baterista Jadiel Viana

Parte fundamental de qualquer grupo musical, a bateria é considerada o coração de uma banda, pois dita a coesão que o grupo apresentará. Quem nunca ouviu falar em João Barone, baterista dos Paralamas do Sucesso, Serginho Herval, do Roupa Nova, ou mesmo Marcelo Costa, baterista de Maria Bethânia, Caetano Veloso, entre outros cantores da MPB? São nomes que se perpetuaram na história da música brasileira pela competência diante de um instrumento tão complexo.

Muito mais do que simplesmente bater em uma caixa, o baterista dita todo o ritmo que o grupo musical apresentará ao público. Mesmo com o advento do teclado, o baterista continua sendo peça fundamental da banda. Ora, “nas rodas de músicos, costuma-se dizer que a bateria é a dona da casa dentro do grupo qualquer que seja o número de componentes. A esse instrumento cabe receber os outros integrantes da banda, como bom anfitrião, e conduzi-los durante a execução da música em questão”, disse certa vez a flautista e compositora, Léa Freire.

Jadiel Viana Silva, conhecido entre os músicos itapecuruenses como “Diel Batera”, é um dos mais requisitados percussionista de Itapecuru Mirim, com domínio do pandeiro e principalmente da bateria.

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Jadiel ainda jovem, teve o interesse musical despertado por meio de seu irmão mais velho que tocava, o André Viana, que faleceu em 2002. André chegou a reproduzir baterias feitas de latas no quintal de casa para brincar com os irmãos e vizinhos; desse fato nasceu a ideia de fundar a Banda Sereno. No início, a gente brincava toda noite depois das aulas, à porta da Escola Newton Neves: eu, meu irmão e outros colegas. Hoje, a partir daquela brincadeira, a maioria se tornou músico. Todos têm referência, pois já trabalharam em bandas grandes. Esse foi o nosso começo.” — Ressaltou Diel Batera.

Quem observa a ascensão do gênero pagode atualmente não imagina que ele já existe em Itapecuru há muito tempo, e Diel Batera é prova disso. Foi por volta dos anos 2000 que o baterista começou a tocar no grupo “Os Mulatos do Pagode” e na Banda Sol Nascente. As apresentações aconteciam em bares e casas de festa da cidade. Jadiel Viana, à frente da bateria e da percussão, passou a despertar o interesse de outras bandas e, até meados de 2008 ele atuou como freelancer em diversos grupos musicais, como a Banda Furacão do Norte, Banda Fogo de Mulher, Banda Revelação, Banda Ki Balada, entre outras.

Em 2011, Jadiel fundou o grupo de pagode “Muleke Samba”, que animou as tardes e noites dos finais de semana dos itapecuruenses por um curto período. A falta de valorização fazia com que eles realizassem de duas a três apresentações por noite e, como ocorre com muitos músicos, o cachê nem sempre era o ideal para o progresso do grupo. Isso levou à interrupção das apresentações; contudo, tal fato não interrompeu as atividades musicais de Jadiel, que continua exercendo seu papel como músico baterista.

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Jadiel Viana não é apenas músico; ele também exerce outra profissão, a de carpinteiro. Inclusive, no início de sua carreira, precisou deixar a música temporariamente para viajar a outro estado em busca de melhores condições financeiras para si e para sua família. O talento precisou ser deixado um pouco de lado, pois, como todo bom pai, a família sempre vem em primeiro lugar.

Atualmente, com a paralisação do grupo de pagode Muleke Samba, Diel Batera está tocando no grupo “Pau Furado do Zé Santana”, banda formada por alguns dos melhores músicos da região de Itapecuru-Mirim, que levam alegria e animação às festas tradicionais com músicas atemporais.

Para Jadiel, tocar bateria não é difícil; afinal, foram anos de dedicação ao aprendizado do instrumento. Em sua memória permanecem a admiração e o incentivo do irmão mais velho, André, que muito lhe ensinou até que se tornasse o baterista que é. Em suas palavras está a força de um músico itapecuruense que não desiste dos sonhos e observa  com empolgação as novas gerações de músicos surgindo: “Para mim, hoje é uma grande alegria ver gerações inseridas no universo da música, percebendo que agora têm oportunidades de estudo, incentivo e acesso a instrumentos, coisas que, lá atrás, eram muito mais difíceis. Ao final, fica em mim a sensação de dever cumprido ao ver filhos músicos que hoje trilham seus próprios caminhos.”.

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    Samira Fonseca é Mestra em Literatura pela Universidade Federal de Tocantins, ocupante da cadeira n° 33 da Academia Vargem-Grandense de Letras e Artes.

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