
Jeremias Pereira da Silva, popularmente conhecido como Gerô, foi um poeta e cordelista maranhense que nasceu em Monção e construiu carreira na capital maranhense. Em sua homenagem o dia 22 de março é consagrado o Dia Estadual do Poeta de Cordel.
A Lei 11.765 de 2022 instituiu, no Maranhão, o Dia Estadual do Poeta de Cordel que tem como objetivo reconhecer, valorizar e estimular essa modalidade literária, além de homenagear um dos grandes cordelistas maranhenses: o artista popular Jeremias Pereira da Silva, o "Gerô".
Por meio dos colonizadores portugueses, a literatura de cordel chegou ao Brasil no século XVIII.Aos poucos, a modalidade se popularizou, sobretudo na região Nordeste.
A literatura de cordel foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, no ano 2018, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) .
Este título retrata a valorização e proteção desta expressão cultural popular, que se manifesta em livretos ou folhetos com poemas, rimas e, frequentemente, ilustrações de xilogravura.

O dia 22 de Março, através da Lei Estadual nº 8.641 de 2007 ,é também a data estadual de combate às mais diversas formas de tortura, em alusão ao artista popular Gerô , assassinado no dia 22 de março de 2007, em São Luís. Gerô foi torturado e assassinado por policiais militares em São Luís.
Por conta desse crime bárbaro, a data foi instituída como o Dia Estadual de Combate à Tortura no Maranhão.Gerô era muito conhecido no meio artístico da cidade. Vários cordelistas já o homenagearam ao longo dos anos.
Esmeralda Costa da Academia Cearense de Literatura de Cordel (ACLC), e mantenedora da Coluna O Cordel Brasileiro, no Facetubes.(Plataforma Nacional do Facetubes) escreveu o cordel Ao Maranhão e ao Poeta Gerô:
Salve o dia consagrado,
Maranhão, terra querida,
O cordel é celebrado,
Sua voz, e sua vida.
Poetas do chão sagrado,
Rima, verso e fé erguida.
Hoje o povo maranhense
Com orgulho vem lembrar
O poeta Jeremias,
Que a injustiça fez calar.
Mas sua lira resiste,
Segue firme a versejar.
Gerô foi homem de luta,
De palavra e coração,
Fez da rima um testemunho,
Fez do verso uma canção.
A tortura sem sentido
Arrancou-lhe a inspiração.
Por engano, um triste engano,
Que jamais vai se apagar
A justiça não lhe veio,
Mas seu nome há de ficar.
Na memória do seu povo,
Na poesia popular.
Hoje é dia do cordel,
E Gerô está presente,
É cultura em Maranhão,
No folheto e na vertente.
Seu legado é resistência,
Segue vivo entre a gente!
Que seu canto ecoe forte,
Como um brado redentor,
Que a poesia seja escudo
Contra a face do opressor.
Viva o dia do cordel!
Viva o povo sonhador!
*Tereza Cristina Santos é pedagoga, cordelista, membro da AICLA, AMCIBA, ALCASJR, Canto do Cordel, CEM.