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Vencendo a Pandemia

Enfermeira Eunice Mendes fala sobre o trabalho da saúde no combate à pandemia em Itapecuru

A profissional era a enfermeira de plantão quando houve o primeiro óbito por covid-19 no hospital regional

Vencendo a Pandemia

Vencendo a PandemiaEsta é uma coluna destinada ao acompanhamento das ações do povo de Itapecuru Mirim no combate à pandemia de coronavirus.

03/05/2020 10h23Atualizado há 3 meses
Por: Alberto Júnior
Fonte: Da Redação
Enfermeira Eunice Mendes em seu posto de trabalho. Foto: Reprodução
Enfermeira Eunice Mendes em seu posto de trabalho. Foto: Reprodução

O site Itapecuru Notícias estréia hoje, domingo (03), uma série de reportagens que mostrarão o trabalho realizado no município de Itapecuru Mirim e região para combater a pandemia que assola o planeta neste início de 2020. Nossa equipe espalhada pelas 14 cidades da região buscarão exemplos de superação, depoimentos e inevitavelmente trarão registros de óbitos, como é o caso desta matéria de abertura.

Decidimos iniciar assim como uma forma de alerta aos internautas que teimam em ignorar as medidas preventivas e ainda não entenderam a gravidade da situação. Com a proliferação do vírus, todos estarão em perigo. Mesmo os que permanecem em suas casas e tenham contato com quem transita normalmente pelas ruas não estão seguros. Veja o relato de uma profissional de saúde que está na linha de frente.

Eunice Mendes é enfermeira há 12 anos e trabalha no hospital regional Adélia Matos Fonseca, em Itapecuru Mirim, há 10 anos. Ela era a profissional de enfermagem de plantão no último sábado (02), quando a unidade registrou o primeiro óbito por COVID-19. Eunice, que acompanha a luta de seu pai contra o câncer de pulmão, fez um relato da situação imediatamente após o acontecido. Para ela a doença não é um problema de saúde pública, algo longe. É um drama pessoal que a acompanha também no seu local de trabalho. Veja abaixo o texto:

Bom, tivemos um óbito hoje. Um paciente de 87 anos que sofria de DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), sem histórico de febre, apenas com sua tosse costumeira e um "cansaço" que se intensificou. Estava desde ontem na observação, pois seus sintomas eram clássicos de alguém que sofre de DPOC. Por volta das 14h, apresentou piora do quadro, foi encaminhado à sala de estabilização e, como fazia parte do grupo de risco, decidimos realizar o teste rápido que, para "nossa surpresa", deu positivo. Isso nos deixa um alerta.

As vezes o covid pode estar alí, passando despercebido, pois um paciente com DPOC vai apresentar tosse e "cansaço". Devemos sempre atentar para o fato de que os nossos idosos são os mais suscetíveis. Perdemos o primeiro e isso acabou com a equipe... Todos entraram na sala, pra ajudar, todos se empenharam, não tínhamos energia, a bateria do monitor acabou, fizemos o possível, mas o vírus venceu. Enquanto eu cuidava das questões burocráticas, minha equipe ficou com o senhor Gustavo, já em óbito, aguardando a família providenciar o enterro.

Depois me juntei a eles e ficamos lá, na penumbra até que duas das técnicas se ofereçam pra ficar com o maqueiro a fim de ajudá-lo a por o corpo no caixão, e liberaram o restante da equipe para se desparamentar e tomar banho. Hoje, ao mesmo tempo em que senti o gosto da derrota, também senti o gosto da vitória ao ver que ninguém da equipe se eximiu de ajudar. Ninguém se escondeu, quando eu disse que o paciente estava "parando", toda a equipe apareceu! Quando dei por mim, toda a equipe estava lá.

Meu coração se compadece por essa perda, mas ao mesmo tempo se consola pela união e humanidade dessa equipe que me encheu de orgulho. À minha querida equipe, deixo meu muito obrigada e mais ainda meus parabéns.

Eunice Mendes - Enfermeira do HRAMF

Depois deste desabafo, algumas considerações devem ser feitas. A primeira delas é que o vírus se aproveita da fragilidade no organismo dos infectados e acelera o que já está debilitado. Por esse motivo hipertensos, diabéticos, pessoas obesas, fumantes, asmáticos (para citar alguns exemplos) perdem esta batalha com maior constância. Uma pesquisadora brasileira desenvolveu técnica inovadora e os resultados já estão sendo repercutidos internacionalmente. O método reduziu para ZERO registros de mortes em pacientes com a forma mais grave da doença, veja no vídeo abaixo:

Outra consideração é que no hospital em Itapecuru não há leitos de UTI (Unidade de tratamento Intensivo), os pacientes diagnosticados com coronavirus que apresentarem agravamento ou complicações em seus quadros clínicos devem ser encaminhados para São Luís, capital do estado. A unidade atende a 14 municípios e conta com apenas 2 leitos de isolamento para tratar de COVID-19 na população estimada em quase 400 mil pessoas, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em entrevista a nossa equipe Eunice Mendes fez uma explanação sobre o cotidiano deste trabalho de combate à pandemia no HRAMF, explicou o atendimento na unidade e fez um alerta à população itapecuruense. A sociedade parece ignorar o quão grave é a situação e segue transitando pelas ruas como se nada, nem ninguém, estivesse em perigo. Veja a seguir:

Aguarde as novas reportagens da série Vencendo a Pandemia, acesse regularmente nosso site e acompanhe as notícias de Itapecuru. Somos o portal de mais credibilidade da região, estamos há 13 anos no ar. Itapecuru Notícias - Informação vc encontra aqui.

 

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