
Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Itapecuru Mirim, vereador Ronilson Costa Cardoso. Excelentíssimo Senhor Prefeito Luís Fillipe Torres Filgueira. Excelentíssimos Senhores Vereadores e demais autoridades constituídas de nosso município. Reverendíssimo Senhor Pároco da Paróquia de Nossa Senhora das Dores, Padre Alonso Gomes Feitosa. Reverendíssimo Senhor Vigário Paroquial, Padre Pedro Anysio Ribeiro da Silva e demais sacerdotes, representantes das pastorais, movimentos e comunidades de nossa querida Paróquia, Senhoras e senhores.
É com imensa honra, alegria e, sobretudo, com profundo sentimento de gratidão, que hoje nos reunimos neste plenário da Câmara Municipal de Vereadores de Itapecuru Mirim para celebrar um dos mais importantes marcos da história de nossa cidade: os 225 anos da criação da Paróquia de Nossa Senhora das Dores. E falar de 225 anos não é falar simplesmente de uma data, nem é apenas recordar um acontecimento registrado em um documento antigo, mas sim, olhar para trás e perceber quantas vidas passaram por essa história, quantas famílias foram formadas, quantas crianças foram batizadas, quantos casamentos foram celebrados, quantos enfermos receberam uma palavra de conforto e de quantos homens e mulheres encontraram na Igreja um lugar de acolhimento e de esperança.
Desta forma, celebrar os 225 anos da nossa Paróquia é, portanto, celebrar também parte da própria história de Itapecuru Mirim, são mais de dois séculos caminhando lado a lado com a formação social, cultural, religiosa e humana do nosso povo. De acordo com os documentos históricos, no dia 25 de setembro de 1801, era criada a Freguesia de Nossa Senhora das Dores. Naquele momento, a freguesia contava com quase sete mil habitantes. Muitos deles eram negros que já tinham conseguido sua liberdade e cultivavam sua fé na então Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que posteriormente seria ampliada e transformada em igreja.
E é importante perceber que, desde os primeiros momentos, a fé cristã já fazia parte da vida cotidiana daqueles homens e mulheres que ajudaram a construir esta terra. A Igreja não estava separada da vida da comunidade, ela estava presente nas alegrias e nas dores, nas festas e nas dificuldades, nos momentos de celebração, e nos períodos de incerteza.
Mais tarde, precisamente em 1841, um importante acontecimento marcaria a história religiosa de nossa cidade. Luiz Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias, lançava a pedra fundamental para a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, em uma solenidade que seguia os modelos ritualísticos romanos. Esse momento histórico está registrado em importantes obras sobre a história de nossa cidade. Ele é mencionado, inclusive, na segunda estrofe do Hino de Nossa Senhora das Dores, composto pelo Padre Luiz Gonzaga Madureira, há exatos 70 anos.
Também foi minuciosamente descrito no livro Sinopse da História de Itapecuru, da pesquisadora e membro da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes, Jucey Santana, bem como no Dicionário Histórico e Geográfico da Província do Maranhão, do historiador César Augusto Marques, entre outros documentos históricos. São registros como esses que nos permitem compreender que a história de uma cidade não se faz apenas com grandes acontecimentos políticos, mas ela também é construída nas igrejas e na memória daqueles que vieram antes de nós.
Senhoras e senhores, desde aquele período, Itapecuru Mirim passou a caminhar sob a proteção de Deus e da Virgem das Dores. Foi nesse contexto que se desenvolveu a organização da Igreja Católica, com suas irmandades e comunidades. Foi também em meio às tensões sociais e às revoltas daquele período que começaram a ser estruturadas ações evangelizadoras que, pouco a pouco, ajudariam a moldar a identidade humana e espiritual do povo itapecuruense.
A nossa história religiosa não foi construída de um dia para o outro, ela foi sendo bordada ao longo do tempo e cada geração acrescentou um ponto, cada padre deixou sua marca, cada religiosa, catequista, cada membro de pastoral, enfim, cada devoto colocou um pouco de sua fé nesse grande tecido que hoje chamamos de Paróquia de Nossa Senhora das Dores. Ainda de acordo com os documentos históricos, foi no século XX, na gleba onde se encontrava o antigo cemitério do Areial, foi erigida a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, um templo construído em um lugar santo e que, ao longo dos anos, tornou-se muito mais do que um edifício, tornou-se casa, lugar de oração, de acolhimento e de esperança.
Casa daqueles que chegam para agradecer e daqueles que chegam para pedir forças. É impossível para um itapecuruense olhar para a nossa Matriz e não reconhecer nela uma parte da própria memória. Ali estão lembranças de gerações, as marcas daqueles que já partiram. Diante daqueles altares estão as vozes de mães que ensinaram seus filhos a rezar, estão as famílias que ali celebraram seus sacramentos; os jovens que encontraram na Igreja um espaço de convivência e serviço e estão o olhar lacrimoso do idosos que durante décadas, mantiveram acesa a chama da fé.
Por isso, ao longo desses mais de dois séculos, a Paróquia de Nossa Senhora das Dores exerceu papel fundamental na construção da nossa sociedade e sua presença atravessa gerações. Ela está na promoção da educação, por meio de instituições como a Escola Paroquial São Vicente de Paulo e o Colégio Jesus, Maria e José. Está na assistência aos mais pobres, na valorização da cultura, na defesa da dignidade humana, no acolhimento daqueles que sofrem e daqueles que se sentem desamparados.
Porque uma Igreja viva não pode permanecer indiferente diante das dores do seu povo, ela precisa estar presente para acolher. Uma igreja viva precisa ajudar a construir uma sociedade na qual o respeito, a solidariedade, a fraternidade e a dignidade humana sejam valores permanentes. Por isso, podemos afirmar sem exagero que a história da Paróquia de Nossa Senhora das Dores se confunde, em muitos momentos, com a própria história de Itapecuru Mirim, não há como contar a história desta cidade ignorando a presença da Igreja.
Não há como falar da formação de nosso povo sem reconhecer o papel exercido pela Paróquia, ela ocupa um lugar singular nessa construção histórica porque soube preservar tradições, fortalecer valores humanos e manter viva, ao longo desses 225 anos, a mensagem de fraternidade e esperança em Jesus Cristo. Foi a Igreja que anunciou, a tantas gerações, valores cristãos que ajudaram homens e mulheres a compreender a importância da família, da solidariedade, do perdão, da caridade e da convivência fraterna.
Senhoras e senhores, essa caminhada também foi feita por pessoas, por homens e mulheres que doaram seu tempo, suas forças e, muitas vezes, toda a sua vida ao serviço da Igreja. Ao longo dessa trajetória, a Paróquia de Nossa Senhora das Dores contou com o trabalho incansável de mais de 30 sacerdotes que passaram por esta comunidade e contribuíram para o seu crescimento. Cada um deles, à sua maneira, deixou uma semente, e algumas dessas sementes floresceram em vocações, em comunidades, em pastorais, em projetos sociais, em ações evangelizadoras e, principalmente, no coração do povo. E aqui não podemos deixar de mencionar aquele que ultrapassou os muros da igreja e da sede do município para levar a presença da Igreja às comunidades rurais, refiro-me ao Padre Cônego José Albino Campos.
Em um tempo em que os meios de comunicação eram extremamente limitados e o acesso às comunidades era muito mais difícil, ele semeou a fé católica em inúmeros lugares, foi ao encontro do povo, levou a palavra de Deus, os sacramentos e deixou uma marca que permanece na memória daqueles que conheceram seu trabalho. É por isso que celebrar uma história como esta significa também não deixar morrer a memória daqueles que fizeram essa história acontecer. E hoje, nesta Casa Legislativa, quando prestamos esta homenagem, não estamos apenas olhando para o passado, estamos dizendo às novas gerações: vocês receberam uma história; agora, também são responsáveis por continuar escrevendo-a.
O ano jubilar dos 225 anos chega, ainda, em um momento muito especial para a nossa Paróquia. Estamos vivendo uma das maiores reformas já realizadas na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, tendo à frente o Padre Alonso Feitosa, que não hesitou diante da necessidade de cuidar da casa da Mãe das Dores. Uma obra dessa dimensão não é feita por uma única pessoa, ela é fruto da união, fruto da fé, da generosidade e do trabalho de padres, religiosas, movimentos, pastorais, comunidades e de todo o povo de Deus.
E aqui fazemos também uma menção especial ao Padre Pedro Anysio Ribeiro, atual vigário da Paróquia, que igualmente contribui para esse projeto. Com a graça de Deus e a colaboração de tantas mãos, em breve será entregue às futuras gerações um templo renovado, digno de Nossa Senhora das Dores e digno da história que ele carrega, porque reformar uma igreja não significa apenas restaurar paredes, portas ou estruturas é também cuidar de um patrimônio de fé, garantindo que aqueles que ainda não nascerão possam entrar naquele templo e sentir que ali existe uma história que começou muito antes deles.
Senhoras e senhores, hoje também homenageamos aqueles fiéis que contribuíram para o crescimento da Igreja Católica em Itapecuru Mirim. Esta homenagem póstuma representa o nosso reconhecimento àqueles que se doaram ao serviço do Evangelho e que, mesmo tendo partido desta vida, continuam presentes na memória de nossa comunidade. A eles, nossa gratidão, às suas famílias, nosso respeito e às novas gerações, deixamos o compromisso de não permitir que suas histórias sejam esquecidas.
Que esta sessão solene não seja apenas uma cerimônia de lembrança, mas seja também um chamado para que a fé não seja apenas uma palavra pronunciada dentro da Igreja, mas uma atitude vivida diariamente. Senhoras e senhores, vivemos tempos em que a violência, a intolerância, a divisão e a falta de diálogo desafiam nossa sociedade itapecuruense e é justamente nesse cenário que precisamos fortalecer aquilo que nos une, precisamos cultivar a paz dentro de nossas casas, em nossas comunidades e em nossa cidade.
É com esse propósito que, a Igreja tem uma missão que permanece atual que é a de anunciar o Evangelho e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e pacífica. Por isso, exorto todos os itapecuruenses a reconhecerem a importância histórica, social, cultural e espiritual da Paróquia de Nossa Senhora das Dores para o desenvolvimento de Itapecuru Mirim. Que possamos compreender que preservar a nossa história é também preservar aquilo que nos identifica como povo e que possamos ensinar às crianças e aos jovens que eles fazem parte dessa história.
Diante de tudo aquilo que representa este jubileu, o povo católico itapecuruense pode, sim, bater no peito e dizer com orgulho: Nós temos história! Temos uma história de 225 anos, construída por homens e mulheres de fé, marcada por sacerdotes, religiosas, leigos, famílias, comunidades, pastorais e movimentos. Mas, acima de tudo, temos uma missão que é a de continuar levando a fé cristã católica a todos os nossos munícipes, enfim, a missão de continuar olhando para Nossa Senhora das Dores como Mãe, como exemplo de fé, de coragem e de perseverança.
A caminhada de 225 anos não termina aqui. Ela continua nas crianças que hoje aprendem a rezar, nos jovens que descobrem sua vocação, nas famílias que mantêm viva a tradição, nos homens e mulheres que dedicam seu tempo ao serviço da Igreja. Ela Continua nas comunidades rurais, nas pastorais, em cada pessoa que, silenciosamente, mantém acesa a chama da fé e continuará enquanto houver um itapecuruense disposto a dizer: “Eu também faço parte dessa história.”
Que Nossa Senhora das Dores continue caminhando conosco. Que cubra Itapecuru Mirim com o seu manto, interceda pelas nossas famílias. Que inspire nossos governantes e todos aqueles que trabalham pelo bem comum. E que nos ensine, como Mãe, a permanecer firmes mesmo diante das dores e das dificuldades, porque somos um povo que tem memória, somos um povo que olha para o futuro sem esquecer as raízes que nos trouxeram até este momento. Por este motivo, neste dia tão especial, diante desta Casa Legislativa e diante do povo de Itapecuru Mirim, deixamos nossa homenagem e nossa gratidão àquela que há mais de dois séculos acompanha a caminhada de nossa cidade.
Parabéns, Paróquia de Nossa Senhora das Dores! Padroeira, que o teu povo continue te saudando com preces e flores. Que continue confiante te chamando de terna Mãe. E que, geração após geração, continue ecoando pelas ruas, pelas casas, pelos bairros e pelos corações de Itapecuru Mirim o nosso mais bonito louvor: Salve, ó Virgem, Rainha das Dores! Salve, a Mãe de Itapecuru Mirim! Que Deus abençoe nossa cidade. Que Nossa Senhora das Dores interceda por todos nós. E que os próximos 225 anos encontrem um povo ainda mais unido, mais fraterno e mais comprometido com a fé, com a história e com o futuro desta terra. Muito obrigada!
*Discurso proferido na sessão solene da Câmara de Vereadores de Itapecuru Mirim, realizada em 24 de setembro de 2026, escrito por Samira Diorama Fonseca, escritora, professora, membro fundadora da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes, colunista do Portal Itapecuru Notícias.








